COZINHA DOS PAÍSES DE LINGUA PORTUGUESA

No período colonial, fizeram-se vários ensaios de africanizar a cozinha portuguesa.Em Moçambique, por exemplo, o revitalizar do património culinário contra a adulteração daquela cozinha estranha à cultura e aos moçambicanos, foi timidamente ensaiado nos primeiros anos pós independência.Algumas das receitas divulgadas, então, eram representativas da verdadeira e genuina cozinha moçambicana.A mucapata, o mucuane, a mathapa, o tocossado o frango à zambeziana, o caril de amendoim, são alguns dos pratos a que me refiro e que são subscritos por moçambicanas bem conhecidas na arte de cozinhar.É impossível falar da cozinha moçambicana, omitindo a colonização e a consequente repressão cultural . Disto falaremos, oportunamente.
Entretanto, com a descolonização, todos e cada um dos países pode, também aqui, fazer a sua própria história.
Regressamos ao passado gastronómico, à cozinha tradicional, mergulharemos nas raízes, passaremos pelo presente, questionaremos opções e espreitamos novas influências.
Assim, apostamos na divulgação do que de mais representativo, existe, na cozinha dos países de língua portuguesa.
Gostariamos de contar com a colaboração de todos os que por aqui vão passar.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

SERICAIA OU SERICÁ

Ingredientes:
1 litro de leite; 12 ovos; 125g de farinha; 500g de açúcar; 1 casca de limão e/ou pau de canela; canela em pó (cerca de 2 colheres de sopa); sal
Preparação:
1 - Batem-se as gemas com o açúcar até se obter um creme bem fofo. à parte dissolve-se a farinha com o leite, que foi previamente fervido com o pau de canela, a casca de limão e o sal.
Adiciona-se o creme de gemas e açúcar e mexe-se.
2 - Leva-se a engrossar sobre lume brando até se ver o fundo do tacho. Retira-se do calor e deixa-se arrefecer.
3 - Batem-se as claras em castelo e juntam-se cuidadosamente ao preparado anterior. Nessa altura o creme deve estar frio ou ligeiramente morno
4 - Tem-se um prato de estanho ou de barro ( ou outro que possa ir ao forno) e deita-se aí o doce às colheradas desencontradas, isto é, uma ao alto e outra ao atravessado. Este aspecto é muito importante
5 - Polvilha-se o doce abundantemente com canela (deve ficar bem castanho, e leva-se a cozer em forno muito quente. O doce ao cozer deverá abrir fendas.
6 - Assim que começar a levantar, baixa-se a temperatura e tapa-se com papel vegetal ou folha de aluminio, até acabar de cozer
7 - Deve ser acompanhado por ameixas em calda

NOTA: Este doce, especialidade de Elvas (Alentejo), era antigamente sempre cozido no forno de padeiro, o único que garantia a temperatura elevada de que necessita para abrir fendas.
A sericaia é oriunda do Convento de Santa Clara,em Elvas. A receita terá sido trazida por D. Constantino de Bragança, directamente da Índia

2 comentários:

Teresa disse...

Que delicia!!! Outra receita para experimentar ;)

Anónimo disse...

Os nossos doces tradicionais são de chorar por mais, diversificados e de escolha díficil, mas este é um dos meus prediletos, arrisco dizer. Sou uma óptima devoradora, mas lamentavelmente uma péssima cozinheira... :-(
Ana Grichetchkine