A primeira agricultura européia no Brasil foi baseada no conhecimento prático dos índios, seguindo-lhes os métodos e apenas introduzindo novas plantas e os animais domésticos. Depois, foi a culinária dos africanos escravizados, que traziam mais de mil anos de experiência de comer bem. O/a negro/a introduziu na cozinha o leite de coco-da-bahia, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, cuzcuz, angu e pamonha. A cozinha negra, pequena mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e colher de pau. As maravilhas da cozinha afro-brasileira que fazem aumentar a saudade do brasileiro distante, capaz de chorar de emoção como chorou D. João VI na hora da partida, deixando uma polpuda pensão para a negra cozinheira que lhe preparava as delícias da culinária afrobrasileira. Tirado
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